"O estilo nem por sombra corresponde a um simples culto da forma, mas, muito longe disso, a uma particular concepção da arte e, mais em geral, a uma particular concepção da vida." (Leon Tolstoi)

30 de ago de 2010

Clássicos da Moda- Pretinho Básico

“ O preto é o início de tudo, o ponto de partida, a silhueta, o recipiente – e depois o conteúdo. Sem as suas sombras o seu relevo e a sua proteção, parecer-me-ia que as outras cores não existem. O preto é ao mesmo tempo a soma de todas as cores. É volúvel, cambiante, nunca é o mesmo. Existe um número infinito de tons de preto: o preto suave das roupas transparentes, o preto apagado e triste do crepe de luto, o preto nobre e profundo do veludo, o preto profuso do tafetá ou o preto forte da seda (faille), o preto esvoaçante do cetim, o preto oficial e alegre do verniz. O preto faz que a lã pareça carvão, dá ao algodão um ar rústico e confere aos tecidos novos um toque insinuante.
Não tenho relação com a neve, não gosto de leite, as noivas do meu desfile são coloridas. Só a caiadura deslumbrante das casas típicas do Mediterrâneo me abre o apetite pelo branco. Dou voltas, hipnotizo com os tons dourados e vermelhos. Dizem que essas cores juntamente com o preto são as cores da loucura (por isso, o realizador Ingmar Bergman pretendia uma casa vermelha em Lágrimas e Suspiros).
Deve acrescentar-se que o preto é um pilar do Sul, uma presença calmante, algo evidente: já falei com frequência sobre os matizes subtis do preto (como nos quadros de Frans Hals ou Velázquez), dos hábitos das freiras arlesianas da minha infância, aos quais o sol arranca reflexos diversos – afirmaria até que o preto tem um aroma que se liberta dos tecidos quando expostos ao sol. Podia dizer-se o mesmo do preto do touro, para cuja pele os aficionados entusiastas têm adjetivos poéticos.
Ao contrário do branco, o preto é “penetrável”. Numa pequena mancha preta, há densidade, prazer, um mundo inteiro. E custa resistir ao preto de qualquer outra parte. Tem-se vontade de lhe tocar, de o espalhar com pincéis ou até mesmo com as mãos. O preto é tanto matéria como cor, é tanto luz como sombra (cujo hino supremo Barthes cantou). Não é triste, nem alegre, mas sim allure e elegância, perfeito e indispensável. Tal como a noite, é irresistível. As crianças não deviam temer o preto, porque se o seu mistério as assusta, é porque nele podem obter a resposta aos seus próprios segredos.” ( Christian Lacroix)

Lulus de Plantão um vestido, ( ou um Look Total Black), é simples o suficiente para aparecer sem esforço, mas elegante o bastante para que a mulher que o usa fique marcada como uma pessoa de bom gosto.
Ora sedutor ou sóbrio, ora ousado ou modesto, chique ou jovial, é uma das grandes armas em qualquer guarda-roupa.Capriche nos acessórios, e, não mais na dúvida e sim na certeza, opte  pelo pretinho básico.
Beijos!

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