"O estilo nem por sombra corresponde a um simples culto da forma, mas, muito longe disso, a uma particular concepção da arte e, mais em geral, a uma particular concepção da vida." (Leon Tolstoi)

21 de ago de 2010

A pé e tranquilo....



A pé e tranqüilo me entrego à estrada aberta,

Saudável, livre, o mundo à minha frente,

A longa trilha de terra à minha frente levando aonde eu escolher.

Doravante não peço boa-sorte, eu sou a boa-sorte,

Doravante não mais pranteio, não mais adio, nada necessito,

Acabaram-se as queixas internas, bibliotecas, críticas querelas,

Forte e contente percorro a estrada aberta.

A terra, isso é o bastante,

Não quero as constelações mais próximas,

Sei que estão muito bem onde estão,

Sei que elas bastam àqueles que lhes pertencem.

Tu, estrada que adentro e observo, creio que não és tudo que há aqui,

Creio que há também muita coisa não vista aqui.

.Eis a profunda lição da recepção, nem preferência nem negação,

O preto com sua carapinha, o réu, o enfermo, o analfabeto, não são negados;

O nascimento, a pressa pelo médico, o roçagar do mendigo, o cambalear do bêbado, o risonho grupo de mecânicos,

O jovem evadido, o coche do rico, o janota, o casal em fuga,

O comerciante madrugador, o carro fúnebre, o transporte de mobília para a cidade, o retorno da cidade,

Eles passam, eu também passo, qualquer coisa passa, nenhum pode ser interditado,

Todos são aceitos, todos serão caros a mim.

. fragmento de Canção da Estrada Aberta, no livro Folhas de Relva, de Walt Whitman

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