"O estilo nem por sombra corresponde a um simples culto da forma, mas, muito longe disso, a uma particular concepção da arte e, mais em geral, a uma particular concepção da vida." (Leon Tolstoi)

20 de abr de 2010

Blogs,Twitter, Orkut, Flickr, Facebook estão mudando as relações de marcas de moda com o seu público

O consumidor dá as cartas
Blogs,Twitter, Orkut, Flickr, Facebook estão mudando as relações de marcas de moda com o seu público
17 de abril de 2010 | 16h 00

A melhor tradução para a megatendência global intitulada "crowdsourcing" está nas sábias e visionárias palavras do Velho Guerreiro, o Chacrinha: "quem não se comunica, se estrumbica." De olho nas redes de relacionamento, marcas interagem com o consumidor de forma estratégica, seja no desenvolvimento de novos produtos, pesquisa de hábitos ou análise de ideias.

Outro projeto interessante é o Womanity.com, da marca Thierry Mugler para o Clarins Fragrance Group. Trata-se de um site interativo, no qual mulheres do mundo todo trocam experiências, sugerem ideias e dão seus pontos de vista sobre os mais variados assuntos, compondo um precioso mosaico sobre o universo feminino, alvo da gigante dos cosméticos.

Na área de moda, o mercado brasileiro está atento às novas mudanças. A marca de calçados Cravo & Canela, localizada no Sul, criou o projeto Fervo de Moda, quando a atual coleção de inverno teve a participação direta de um grupo de blogueiras jovens, de diferentes tribos e antenadas com moda, recrutadas em mídias sociais.

Segundo Aniele Barros, da área de marketing, desde o ano passado, a empresa pensava em estreitar as relações com o seu público. "A marca não pode ficar num pedestal. O consumidor quer opinar, criar, participar espontaneamente." Foram selecionadas dez blogueiras de diferentes regiões do País com algum tipo de relação com a marca. "Realizamos três encontros, quando elas vieram até a fábrica, em Ivoti, Rio Grande do Sul. Conheceram todo o processo de criação e desenvolvimento de produtos. Depois, com orientação de designers, foram convidadas a criar uma minicoleção."

Cada uma recebeu em casa um protótipo dos calçados e um kit com tecidos e adereços, para customizarem quatro modelos, que, posteriormente, foram apresentados na Couromoda, feira de moda e acessórios. Se para a empresa a parceria rendeu bons frutos, o mesmo pode-se dizer em relação às garotas. Uma delas é a arquiteta Aline Zemuner, a Lily, de 28 anos, que tem um blog de estilo. "Achei a ideia excelente. Tivemos liberdade de criar e nos sentimos parte do time."

Estrelas da campanha. Vista-se e seja como quiser, proclama a Doc Dog, descolada marca de moda que escolheu nove consumidores, por meio de mídias sociais, para estrelarem sua atual campanha de inverno. Os eleitos - clicados pelo badalado fotógrafo Merlin Bronques, figura hype da noite novaiorquina - destacam-se por suas atitudes. São globalizados, amantes de moda, arte e cultura - em suma, são afinados com a identidade da marca. A campanha veiculada em revistas traz um pequeno perfil de cada blogueiro.

A proprietária da marca,Thais Protti, conta que, há muito tempo, queria dialogar com o seu público consumidor - em geral, profissionais da área de comunicação, design, música, publicidade e moda. "São pessoas que gostam de se diferenciar das demais."

Coleção. Blogueiras criam para a Cravo e Canela

Para colocar o projeto em prática, Thais contou com a ajuda de um amigo blogueiro e frequentador da noite, que a ajudou a selecionar o grupo. "A minha maior preocupação era fazer com que a ideia não soasse falsa, de forma que todos os jovens compartilhassem o seu estilo com o DNA da marca", fala Thais, que já pensa em outras ações para fidelizar o cliente. "Não basta servir champanhe e cafezinho. O modelo de negócios está mudando, os jovens estão cada vez mais informados e nos trazem ideias e novas interpretações sobre o modo de usar roupas e acessórios.".

Um dos "modelos" da campanha é o DJ Alex Magalhães. Divertido, ele revela duas manias. Uma é o uso do topetinho, ajeitado toda hora, e a outra é tirar fotos quando se produz para sair. "Assim não me esqueço de combinações bacanas que podem ser repetidas em outras ocasiões." Alex é fã das camisas de gola e dos sapatos de bico fino da Doc Dog. Morena Boaventura, que tem na bagagem cursos de artes, literatura e línguas, também gostou da experiência, especialmente porque não foi algo forçado. "Já uso as roupas da marca há um bom tempo, o que me deixou à vontade para fazer as fotos."

Passadas rápidas. Em 2006, o lançamento do modelo de tênis Nike Plus, da Nike em parceria com a Apple, revolucionou o mercado de acessórios esportivos e também o relacionamento com o consumidor. Um chip na sola do tênis armazenava dados da corrida, passando-os para o iPod nano, possibilitando ao corredor acessar dados sobre tempo, distância, queima de calorias e ritmo do exercício. O mais interessante é que o produto deu origem a um site de relacionamento, criado e mantido pela Nike, para corredores que usam o kit eletrônico. "O corredor chega em casa, descarrega no computador as informações obtidas durante a corrida, podendo conferir a evolução de sua performance e compará-la com a de outros corredores que participam da comunidade Nike Plus", fala Thiago Pinto, diretor de marketing da marca.

A comunidade Nike Plus congrega mais de 2 milhões de membros em todo o mundo, sendo 40 mil registrados no Brasil. Essa massa de informações, diz o diretor de marketing, alimenta o banco de dados, subsídio para a marca conhecer melhor seus clientes e desenvolver novos produtos.

VOCÊ DECIDE

Enquanto o caminho natural das marcas de moda é investir pesado em pesquisas, viagens e estilistas, Fábio Seixas e seu sócio Rodrigo David, do site www.camiseteria.com, apostam na criatividade do consumidor. O internauta cria as estampas, que ficam em votação pública na rede por dez dias, ganham nota e vão para o ranking interno. Aquelas que tiverem a maior aprovação são produzidas.

O endereço de comércio eletrônico foi colocado no ar em 2005, bem antes do boom das mídias sociais. "Nos dois últimos anos, tivemos um crescimento significativo. Hoje são 170 mil usuários no site, 42 mil seguidores no Twitter e 20 mil no Facebook", comenta Fábio. O público consumidor é jovem, na faixa de 20 a 25 anos. O negócio vai de vento em popa, com uma média de 3.000 a 3.500 camisetas vendidas por mês.
E VOCÊ VAI FICAR FORA DESTA?

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