"O estilo nem por sombra corresponde a um simples culto da forma, mas, muito longe disso, a uma particular concepção da arte e, mais em geral, a uma particular concepção da vida." (Leon Tolstoi)

13 de abr de 2010

Doença de Alzheimer

O que é a Doença de Alzheimer (DA)?


Em geral, a DA acomete inicialmente a parte do cérebro que controla a memória, o raciocínio e a linguagem. Entretanto, pode atingir inicialmente outras regiões do cérebro, comprometendo assim outras funções. A causa da doença ainda é desconhecida e, embora ainda não haja medicações curativas, já existem drogas que atuam no cérebro tentando bloquear sua evolução, podendo, em alguns casos, manter o quadro clínico estabilizado por um tempo maior. Seu médico é o melhor conselheiro e apenas ele é capaz de avaliar a necessidade do uso dessas medicações. É importante que você saiba que, apesar de não haver tratamento curativo, podemos fazer muito em prol desses pacientes através de cuidados específicos e dirigidos a cada fase evolutiva, melhorando em muito a qualidade de vida dessas pessoas.


A DA recebeu este nome depois que o Dr. Alois Alzheimer descreveu, em 1906, as mudanças ocorridas no tecido cerebral de uma mulher que faleceu em decorrência do que era conhecido como uma forma de doença mental no idoso. Essas mudanças hoje são reconhecidas como características da alteração do tecido cerebral na doença de Alzheimer.


A DA afeta todos os grupos da sociedade, não tendo influência a classe social, o sexo, o grupo étnico ou a localização geográfica. Embora a DA seja mais comum em pessoas idosas, também as pessoas jovens podem ser afetadas.

O que causa a DA?


Atualmente a causa da DA ainda é desconhecida. Entretanto, sabe-se que a DA não é causada por endurecimento das artérias, pouco ou muito uso do cérebro, sexo, infecções, envelhecimento, exposição ao alumínio ou a outro metal.

Quais são os sintomas da DA?



A DA afeta cada pessoa de diferentes maneiras: em princípio, o impacto da doença sobre o sistema familiar pode ter maior ou menor grau, dependendo da percepção – pelo cuidador – dos déficits apresentados pelo portador. Por exemplo: mudanças cognitivas (memória, atenção, linguagem, etc.), funcionais (declínio na execução das AVDs/AIVDs) ou comportamentais (agitação, agressividade, etc.), e de como e em que proporção estes déficits estão interferindo no cotidiano do portador. Os sintomas da DA podem ser mais bem entendidos no contexto dos estágios de seu desenvolvimento: inicial, intermediário e avançado.


Nem todos os portadores de DA terão os mesmos sintomas – não existe um padrão único de evolução para todos os vitimados pela doença. A determinação de estágios ou fases serve como guia para verificar a progressividade da doença e ajudar os familiares/cuidadores a conhecerem os problemas potenciais, permitindo assim que seja feito um planejamento das necessidades futuras.

Estágio Inicial: o estágio inicial da doença é freqüentemente negligenciado e incorretamente considerado como “processo normal do envelhecimento”. Como o desenvolvimento da doença é gradual, fica difícil identificar exatamente o seu início. Neste estágio, a pessoa pode apresentar dificuldades com linguagem, desorientação de tempo e espaço, dificuldades para tomar decisões, dificuldades para lembrar fatos recentes, perda de iniciativa e motivação, sinais de depressão, perda de interesse nos hobbies e outras atividades.

Estágio Intermediário: com o progresso da doença, os problemas se tornam mais evidentes e restritivos. O portador de DA tem dificuldades com as atividades do dia-a-dia, além de esquecimento de fatos recentes e nomes das pessoas; maior dificuldade em administrar a casa ou negócios; necessita assistência na higiene pessoal; maior dificuldade na comunicação verbal; apresentar problemas de vagância (andar sem parar) e alterações de humor e de comportamento como agitação, agressividade, que pode ser física e/ou verbal), delírios (acreditar que está sendo roubado, que é traído pelo cônjuge, etc.), apatia, depressão, ansiedade, desinibição (despir-se em público, indiscrições sexuais, linguagem maliciosa, etc.).

Estágio Avançado: a dependência se torna mais severa, os distúrbios de memória são mais acentuados e o aspecto físico da doença se torna mais aparente. O portador de DA pode apresentar dificuldades para alimentar-se de forma independente, não reconhecer familiares, amigos e objetos conhecidos, dificuldade em entender o que acontece ao seu redor, dificuldade de locomoção, incontinência urinaria e fecal, comportamento inadequados em público, agressividade e agitação.


Por que o diagnóstico é importante?




Quanto antes for feito o diagnóstico, mais o familiar/cuidador poderá se preparar para atender melhor ao portador e principalmente conhecer as expectativas futuras. O diagnóstico inicial é o primeiro passo para planejar o futuro. Não existe um teste único para o diagnóstico. O diagnóstico de DA é feito através de cuidadosa história do paciente relatada por seu familiar junto com o exame físico e mental do paciente. É importante excluir outras hipóteses diagnósticas que causam perda de memória como infeções, problemas tireoidianos, etc.

O diagnóstico de DA somente é confirmado com a necropsia, no exame de tecidos cerebrais após a morte.

Existe tratamento para a DA?



Não. Até o momento não existe um tratamento curativo para a DA. Algumas medicações específicas (estabilizadoras) podem retardar a progressão da doença; outras (comportamentais) podem ajudar a minimizar a freqüência e a gravidade dos distúrbios de humor e comportamento. Portanto, lembre-se: apenas o médico é capaz de fazer a opção terapêutica mais adequada em cada caso. Entretanto, saiba que uma série de atividades poderá ser desenvolvida pelo portador e junto a ele, estimulando-o e preservando habilidades atuais, facilitando assim o dia-a-dia do familiar/cuidador. É oportuno manter-se informado, atualizando-se com profissionais especializados que atuam com portadores e seus familiares.

Não se sinta desesperançado. A comunidade científica vem trabalhando arduamente em pesquisas que, ao final, talvez possam oferecer melhores condições para o tratamento da DA, especialmente aquelas relacionadas ao tratamento medicamentoso. Os familiares/cuidadores devem procurar atualizar-se sobre a DA, buscando informações sobre novos medicamentos junto ao médico que atende ao portador.

Quem foi Alois Alzheimer

No dia 14 de junho de 1864, nasceu Alois Alzheimer, na cidade alemã de Marktbreit. Alois estudou medicina em Berlin, em dezembro de 1888, na cidade de Frankfurt foi nomeado como médico residente no Sanatório Municipal para Dementes e Epilépticos, sendo logo promovido a médico senior. Casou-se em 1894 com C. S. Nathalie Geisenheimer, que lhe deu três filhos. A esposa veio a falecer em 1901.

A origem do termo “Mal de Alzheimer” deu-se em 1901, quando Dr. Alzheimer iniciou o acompanhamento do caso da Sra. August D., admitida em seu hospital. Em novembro de 1906, durante o 37° Congresso do Sudoeste da Alemanha de Psiquiatria, na cidade de Tubingen, Dr. Alois Alzheimer faz sua conferência, com o título “SOBRE UMA ENFERMIDADE ESPECÍFICA DO CÓRTEX CEREBRAL”. Relata o caso de sua paciete, August D., e o define como uma patologia neurológica, não reconhecida, que cursa com demência, destacando os sintomas de déficit de memória, de alterações de comportamento e de incapacidade para as atividades rotineiras. Relatou também, mais tarde, os achados de anatomia patológica desta enfermidade, que seriam as placas senis e os novelos neurofibrilares. Dr. Emil Kraepelin, na edição de 1910 de seu “Manual de Psiquiatria”, descreveu os achados de Dr. Alzheimer, cunhando esta patologia com seu nome, sem saber da importância que esta doença teria no futuro. Dr. Alois foi acometido de uma grave infecção cardíaca (endocardite bacteriana) em 1913. Seguiu enfermo por dois anos, quando no dia 19 de dezembro de 1915 veio a falecer de insuficiência cardíaca e falência renal, na cidade de Breslau, Alemanha.

Rede de Atendimento Público e Portarias



Em abril de 2002, o Ministério da Saúde aprovou o tratamento ao portador da doença de Alzheimer na rede pública, envolvendo não só o diagnóstico e tratamento como também a medicação e outras atenções, como: atendimento hospitalar e hospital-dia; visita domiciliar, tratamento acompanhado por equipe multiprofissional e programa de orientação e treinamento para familiares. Não resta dúvida que foi um grande passo, porém, é necessário que agora todas estas propostas sejam concretizadas.

Em 12 de abril de 2002, foram assinadas portarias autorizando o tratamento da doença de Alzheimer - DA na rede pública, que foram publicadas no Diário Oficial da União, em 16 de abril de 2002. Para que todos possam conhecê-las e saber quais os direitos que agora o portador de DA passa a ter, apresentamos abaixo um resumo:

Portaria 702: Cria mecanismos para organização e implantação de Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso e determina as Secretarias de Saúde dos estados, do distrito federal e dos municípios a adoção das providências necessárias para a implantação de redes de assistência ao idoso.
- Cria também os Centros de Referência em atenção à saúde do idoso, com hospital que dispõe de condições técnicas, instalações físicas, equipamentos, recursos humanos etc, com disponibilidade para internações hospitalares, atendimento ambulatorial especializado, hospital-dia, assistência domiciliar, no total de 74 em todo o Brasil, para atendimento a todos os aspectos da saúde do idoso.

Portaria 703: Institui, no âmbito do SUS, o Programa de Assistência aos Portadores da doença de Alzheimer. Define que o programa será desenvolvido de forma articulada pelo Ministério da Saúde e pelas Secretarias de Saúde dos estados, distrito federal e municípios em cooperação com as redes estaduais de assistência e centros de referência em assistência à saúde do idoso (estes centros serão os responsáveis pelo diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes, orientação aos familiares e cuidadores).

1) Se sua cidade não tiver Centro de Referência: acompanhar o familiar doente ao posto de saúde da cidade ou do bairro para a consulta inicial com um médico. Não esquecer de levar os últimos exames realizados (caso os tenha) e os documentos do paciente.

2) O médico do posto de saúde, dependendo da avaliação, vai encaminhar o paciente para o centro de referência ou hospital credenciado mais próximo. Não esquecer de solicitar ao médico toda documentação necessária para cadastrar o paciente no Programa de Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer.

3) Se sua cidade tiver Centro de Referência: ir direto ao centro e procurar o setor de atendimento ou de triagem. Também neste caso, não deixar de levar os últimos exames e os documentos do paciente.

4) No centro, o paciente será avaliado por um médico especializado para verificar a possibilidade de ter a doença de Alzheimer. A partir do diagnóstico, ele apresentará as alternativas de tratamento. Não saia da consulta sem a orientação médica para o tratamento.

5) Se o paciente já tiver sido diagnosticado, o médico do centro pode decidir refazer a avaliação, podendo confirmar o tratamento já dado ou mudar. Em qualquer caso, não saia sem entender tudo sobre as orientações médicas.

6) Se o médico receitou medicamento, levar a receita e toda a documentação exigida até a farmácia de dispensação (também chamada de farmácia do "governo") para retirar o remédio na dosagem determinada. Informe-se sobre a localização da farmácia.

7) Voltar com o paciente para nova avaliação na data orientada pelo médico.

Devemos ressaltar que neste momento a Portaria 702 está sendo revisada pelo Ministério da Saúde para facilitar o acesso do idoso com problemas crônicos de saúde, como a Doença de Alzheimer às consultas especializadas, aos exames e testes bem como ao medicamento.

A Portaria No. 703, que institui o Programa de Assistência ao Portador de Alzheimer é o primeiro passo para trazer esperança e melhores condições de vida para milhões de pessoas. Agora, novos passos serão necessários e seu sucesso dependerá muito mais do interesse e do empenho de cada um de nós, associados da ABRAz, familiares de pacientes e a comunidade médica. Para começar, precisamos que os dados sobre a portaria e sobre a doença cheguem ao máximo de pessoas, pois é a informação a arma mais importante para enfrentar a DA.

A ABRAz está também constantemente acompanhando esses processos junto ao Ministério da Saúde e busca informações sobre onde os medicamentos poderão ser retirados. Não hesite em nos contatar para dirimir suas dúvidas através do telefone: Fale conosco 0800-55-1906

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